PL terá 34,57% do Senado a partir de 2027

© Marcello Casal JrAgência Brasil
Com 28 cadeiras, o Partido Liberal se torna a maior força do Senado, sinalizando uma guinada à direita no Brasil independente das eleições presidenciais.
Com um crescimento expressivo no Senado, a direita se consolida como força dominante na Casa Legislativa a partir de 2027. O Partido Liberal lidera esse avanço, somando 28 cadeiras no Senado após eleger 19 senadores somente neste domingo, o que representa 34,57% da composição total da Casa Alta. Dos 54 novos parlamentares eleitos para o Senado em 2026 — dois por unidade da federação —, somados aos 27 que estão no meio do mandato, o resultado final totaliza 81 senadores. O cientista político e professor do Ibmec Adriano Cerqueira avalia que essa mudança terá impacto profundo no Brasil nos próximos meses, independentemente do resultado da eleição presidencial. "A eleição não acabou para a Presidência da República, mas acabou para o Congresso. E o que sobrou para o Congresso Nacional, em termos de mandato, já vai estar à sombra desse novo Congresso que se fez."
Segundo o especialista, a guinada do Senado à direita reflete, em grande parte, a insatisfação da população com a forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conduziu sua relação com o Congresso e com o Supremo Tribunal Federal (STF). "O Lula tinha uma minoria no Congresso Nacional mas tinha uma maioria política no STF. E o Lula ancorou o seu governo com uma forte aproximação ao STF, somente àqueles ministros próximos dele. Os escândalos que foram aparecendo batendo em seu governo, e também nesses ministros do STF, colaram, para esse eleitorado, no presidente Lula", explicou Cerqueira. Até a última atualização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro (PL) liderava a disputa pela Presidência com 47,09% dos votos, seguido por Lula, com 45,09%. Os dois seguem para o segundo turno.
Ao todo, 19 candidatos do Partido Liberal foram eleitos neste ano e permanecerão no Senado pelos próximos oito anos. Outros nove senadores da legenda já possuíam mandatos ativos e seguirão ocupando suas cadeiras até 2029. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) foram confirmadas como vencedoras. No Mato Grosso do Sul, o partido também varreu as duas vagas disponíveis, com as vitórias de Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL). Em São Paulo, André do Prado (PL) foi o representante da legenda a conquistar a cadeira, enquanto no Paraná a vitória coube a Filipe Barros (PL). O segundo partido com mais eleitos é, até o momento, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que elegeu quatro parlamentares. Como já havia um senador da legenda em meio de mandato, espera-se que o MDB encerre a contagem com pelo menos cinco parlamentares em sua bancada.
O controle do Senado é estratégico para destravar pautas centrais para a direita, especialmente no que diz respeito à indicação e ao impeachment de ministros do STF. Compete privativamente aos senadores sabatinar e aprovar — ou rejeitar — os nomes indicados pelo presidente da República para compor a Suprema Corte. Além disso, o Senado é a única instância com poder constitucional para processar e julgar magistrados do STF em casos de crime de responsabilidade. A Casa Alta também é responsável por sabatinar indicados à presidência do Banco Central, de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) e de diversas agências reguladoras, o que amplia consideravelmente o alcance político dessa nova configuração do Senado.