IBGE revela salário médio por estado do Brasil com desigualdade

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Levantamento do IBGE mostra diferença de R$ 3.000 entre o maior e o menor salário médio estadual; Minas Gerais fica fora do top 10
A desigualdade salarial entre brasileiros de diferentes estados supera R$ 3.000 por mês. Essa é a diferença entre o maior salário médio mensal registrado no país, no Distrito Federal, e o menor, em Alagoas. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e apontam ainda que o salário médio nacional é de R$ 3.932,44. As informações foram compiladas em 2024 com base no Cadastro Central de Empresas (Cempre), que reúne todas as instituições com CNPJ ativo no país. Considerando o salário mínimo daquele ano, de R$ 1.412, a média mensal dos trabalhadores brasileiros equivale a 2,8 salários mínimos.
Segundo o IBGE, as atividades com os maiores salários médios no Brasil são os organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais (R$ 9.678,61), o setor de eletricidade e gás (R$ 8.539,07) e as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (R$ 8.430,55). No entanto, a concentração de trabalhadores nessas áreas é baixa, reunindo apenas 2,6% dos assalariados do país. O setor com o maior número de empregados é o comércio, que concentra um quinto dos assalariados brasileiros, mas oferece um dos menores salários, de R$ 2.801,85.
O levantamento do IBGE também expõe desigualdades de gênero e de formação acadêmica. Mulheres recebem, em média, 16% menos do que os homens — R$ 3.608,04 contra R$ 4.206,00. Já trabalhadores com ensino superior têm salário três vezes maior do que aqueles sem diploma universitário: R$ 7.776,59 ante R$ 2.742,41. Mesmo o maior salário médio do país, registrado no Distrito Federal, está abaixo do valor considerado necessário para sustentar uma família de quatro pessoas: R$ 7.999,44. Esse valor é calculado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e leva em conta a cesta básica completa em cada capital brasileira. O montante atual é quase cinco vezes superior ao salário mínimo vigente em 2026, de R$ 1.621.
Os dados do IBGE consideram unidades locais, ou seja, incluem filiais de empresas que não são originalmente de cada unidade da federação (UF). Por isso, pode haver uma leve diferença em relação a outras listas divulgadas pelo instituto, que levam em conta apenas empresas sediadas em cada região. Minas Gerais, vale destacar, ficou fora do top 10 dos estados com os maiores salários médios do país.