Censo Escolar: número de reprovados no ensino médio cai em mais de 60%

Alunos participando do programa federal Pé de Meia - Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil
Censo Escolar 2025 revela melhora nos índices de reprovação, abandono e atraso escolar no ensino médio público entre 2022 e 2025
Os números do desempenho de estudantes que concluíram o ensino médio na rede pública apresentaram melhora significativa entre 2022 e 2025. O índice de reprovação caiu 62%, o de abandono diminuiu 61% e o atraso escolar teve redução de 28%. No mesmo período, a taxa de aprovação subiu 11%.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (26/6) pelo Ministério da Educação (MEC) como parte da segunda etapa do Censo Escolar 2025, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O levantamento anual permite calcular as taxas de rendimento escolar no país.
Segundo o MEC, a evolução dos indicadores educacionais no Brasil está relacionada à implementação, desde 2023, de programas como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Escola em Tempo Integral, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, além da criação do programa Pé-de-Meia, em 2024, e de avanços no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, celebrou o fato de mais estudantes permanecerem na escola, avançarem de série e concluírem os estudos no tempo adequado. "O cenário reflete uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica. Observamos, ainda, melhoria simultânea nos indicadores de abandono, repetência e atraso escolar no Brasil."
Permanência nas salas de aula
Os dados do Censo Escolar também indicam que mais estudantes têm conseguido permanecer no ensino médio. Entre 2022 e 2025, a taxa de não retorno ao ensino médio caiu 28%, o que significa que mais jovens continuaram em sala de aula de um ano letivo para outro.
O presidente do Inep, Manuel Palacios, estima que, se esse indicador tivesse permanecido no nível de 2022, o Brasil teria, em 2025, quase 250 mil estudantes a menos no ensino médio. "Um número muito grande de jovens, que poderia estar fora da escola, seguiu estudando."
Ações integradas
Entre as iniciativas que contribuíram para a melhoria do ensino médio na rede pública está o programa Pé-de-Meia, segundo o MEC. A chamada Poupança do ensino médio já beneficiou 7,2 milhões de estudantes desde sua criação em 2024. A iniciativa federal oferece incentivo financeiro para estudantes que frequentam as aulas, passam de ano, concluem a educação básica e realizam as provas do Enem.
Para o ministro Leonardo Barchini, o Pé-de-Meia é o carro-chefe na recuperação da educação básica brasileira e um dos programas mais relevantes das últimas duas décadas no enfrentamento da desigualdade de oportunidades. "O jovem mais vulnerável precisa ter as mesmas chances de concluir os estudos que qualquer outro estudante. O Pé-de-Meia não é apenas uma transferência de renda. É uma política educacional para melhorar a permanência e o desempenho dos estudantes."
Educação básica e alfabetização
Os avanços no ensino médio também são resultado de ações desenvolvidas em outras etapas da educação básica. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, por exemplo, está associado à elevação do índice de alfabetização de 36%, em 2021, para 66%, em 2025. O programa busca garantir a alfabetização de todas as crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental e recuperar as aprendizagens afetadas pela pandemia para 100% das crianças matriculadas no 3°, 4° e 5° ano.
Ensino integral
O Censo Escolar aponta que o percentual de matrículas na educação em tempo integral passou de 15,1%, em 2021, para 25,8%, em 2025, alcançando 8,8 milhões de estudantes da rede pública. Nessa modalidade, o estudante permanece na escola por, no mínimo, sete horas diárias ou 35 horas semanais.
No período de 2021 a 2025, foram registradas mais de 1,8 milhão de novas matrículas. Pela primeira vez, a educação em tempo integral alcançou a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa um em cada quatro estudantes na modalidade.
Conexão digital
O MEC também atribui os resultados à transformação digital da escola pública por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), que amplia a infraestrutura tecnológica das redes de ensino e o acesso à internet nas escolas públicas de educação básica. Com a iniciativa, o número de escolas conectadas cresceu 43,7%: de 66,8 mil escolas estaduais e municipais em 2023 para 100 mil atualmente.
Entre 2023 e 2025, mais de R$ 3 bilhões foram investidos em escolas, beneficiando cerca de 24 milhões de estudantes.
Enem em expansão
O Exame Nacional do Ensino Médio é a principal forma de acesso à educação superior no Brasil, por meio de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fies. O Enem registrou aumento de 46% nas inscrições feitas por concluintes de escola pública entre 2022 e 2025.
Em 2025, o exame voltou a certificar a conclusão do ensino médio para participantes que atendam aos critérios estabelecidos e passou a contar com inscrição pré-preenchida para concluintes da rede pública. O ministro Barchini destacou que o governo federal trabalha para que mais estudantes ingressem no ensino superior ou na educação profissional.
Pela primeira vez, em 2026, o Enem também será adotado como instrumento para avaliar a qualidade do ensino médio brasileiro, ampliando seu papel no acompanhamento das políticas educacionais.
Os dados do Censo Escolar 2025 mostram uma trajetória de melhora nos principais indicadores da educação básica pública no Brasil, impulsionada por um conjunto de programas federais voltados à permanência, à aprendizagem e à inclusão digital dos estudantes.