
Trump - Foto: EPA/Shutterstock
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (12) em suas redes sociais que irá implementar um bloqueio imediato ao Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula aproximadamente 20% do petróleo e gás mundial. A decisão ocorre um dia após os EUA confirmarem que dois navios de guerra americanos entraram no local, uma ação que pode trazer sérias consequências para outros países que utilizam essa importante via marítima.
"Com efeito imediato, a Marinha dos EUA, a melhor do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz", declarou Trump na rede social Truth Social. O presidente americano também afirmou que todos os navios em águas internacionais que pagaram pedágio ao Irã serão interceptados: "Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar."
Trump intensificou sua retórica contra Teerã, acusando o país de praticar "extorsão global" ao bloquear rotas marítimas e anunciou que os EUA iniciarão operações de remoção de minas na região. O presidente alertou que qualquer ataque iraniano contra forças americanas ou navios civis resultará em destruição.
Apesar de reconhecer alguns avanços nas negociações realizadas no Paquistão, Trump enfatizou que o impasse central permanece nas ambições nucleares iranianas, garantindo que o país jamais obterá tais armas. Ele sugeriu ainda que o Irã perdeu o controle da situação por não conseguir localizar suas próprias minas, ironizando a capacidade militar do país após supostas operações americanas. "No momento oportuno, estaremos totalmente prontos para a ação. Nossas Forças Armadas darão conta do pouco que restou do Irã", afirmou.
No último sábado, os contratorpedeiros norte-americanos USS Frank E. Petersen Jr. e USS Michael Murphy realizaram uma incursão ao Estreito de Ormuz com o objetivo de localizar e remover minas marítimas. De acordo com informações do Pentágono, a missão partiu do Golfo de Omã e retornou ao ponto de origem após completar a varredura. Durante a operação, as forças americanas abateram um drone de vigilância iraniano que, embora não representasse ameaça imediata, foi neutralizado para impedir o monitoramento da frota.
O clima de tensão foi evidenciado por áudios obtidos pelo Wall Street Journal, nos quais militares iranianos emitiram um "último aviso" via rádio. Em resposta, os americanos reafirmaram que navegavam sob o direito internacional e em conformidade com o cessar-fogo. Enquanto Teerã nega a entrada das embarcações em suas águas, Washington mantém que a operação foi concluída com sucesso, buscando garantir a segurança comercial na rota sem comprometer as sensíveis negociações diplomáticas em curso.
Estados Unidos e Irã não conseguiram chegar a um acordo após mais de 21 horas de negociações intensas em Islamabad, capital do Paquistão. As delegações deixaram o país neste domingo (12) sem resolver os impasses sobre pontos críticos, como o programa nuclear iraniano.
JD, vice-presidente dos EUA, relatou que os iranianos não aceitaram os termos apresentados por Washington, que segundo ele, eram "bastante flexíveis". "Já estamos nisso há 21 horas e tivemos várias discussões substanciais com os iranianos. Essa é a boa notícia. A má notícia é que não conseguimos avançar", afirmou Vance durante coletiva em Islamabad. Conforme o vice-presidente americano, o principal ponto de discórdia foi a recusa de Teerã em assumir um compromisso firme de abandonar o desenvolvimento de armas nucleares. "Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear", declarou, acrescentando: "Partimos daqui com uma proposta muito simples, nossa oferta final e melhor".
Por outro lado, a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim apresentou uma versão diferente. Segundo a agência, as exigências americanas foram "excessivas". "As negociações terminaram e, devido ao excesso de zelo e ambições dos EUA, não foi possível chegar a uma estrutura comum", informou. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou também que houve acordo em alguns pontos, mas divergências em "dois ou três pontos-chave" impediram um avanço mais amplo nas negociações.
A decisão de Trump de bloquear o Estreito de Ormuz representa uma escalada significativa nas tensões entre Estados Unidos e Irã, com potenciais repercussões para o comércio global de petróleo e a estabilidade regional no Oriente Médio.