
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Alexandre Ramagem, ex-deputado federal, foi preso nesta segunda-feira (13) pelo serviço de imigração dos Estados Unidos. Segundo investigação da Polícia Federal (PF), Ramagem entrou no país com apoio de aliados e uso de documentos falsos. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão no processo da trama golpista, ele estava vivendo em Miami desde setembro de 2025, em um condomínio de luxo.
De acordo com a PF, a fuga e a permanência de Ramagem nos EUA contaram com a participação central da família do garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas. Ele, sua esposa Priscila de Mello e o filho Celso Rodrigo de Mello são apontados como os responsáveis por viabilizar moradia em condomínio de luxo para Ramagem em Miami, garantindo sua estadia confortável durante o período em que esteve foragido da justiça brasileira. Eles também forneceram suporte financeiro necessário para a manutenção do ex-deputado nos Estados Unidos, evidenciando o que a PF chamou de "claro intuito de financiar a organização criminosa" investigada por tentativa de golpe de Estado.
O ex-deputado obteve documentos falsos para "ludibriar as autoridades americanas", inclusive para a emissão de carteira de motorista (driver license) no país, permitindo que Ramagem circulasse livremente. Esses detalhes constam em decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, que, em dezembro de 2025, citou o caso ao negar prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
No documento, a PF destacou a atuação da família do garimpeiro no esquema. A investigação também traçou a rota de saída do país utilizada por Ramagem. Ele deixou o Brasil por Roraima, cruzando a fronteira pelo município de Bonfim em direção à Guiana, país onde Cataratas mantém negócios. De lá, seguiu para os Estados Unidos. A PF aponta que o esquema contou com estrutura organizada para garantir a fuga e a permanência clandestina no exterior.
Em dezembro, o filho de Cataratas foi preso em Manaus pela Polícia Federal por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Semanas antes, o empresário havia se manifestado nas redes sociais após começarem a circular informações de que ele teria ajudado Ramagem a deixar o país. "(Ramagem) tem vários amigos em Roraima, e eu também sou amigo dele, certo? Ele é deputado federal, pessoal. Quando ele esteve em Roraima pela última vez não existia nenhuma condenação contra ele. Então, essa narrativa de fuga, isso é uma narrativa falaciosa, justamente para manter uma perseguição", disse Cataratas em vídeo publicado no final de novembro, sem confirmar se estava ou não sendo investigado. "Todos aqui somos de direita e somos perseguidos".
No vídeo, o empresário afirmou que tomou conhecimento da condenação de Ramagem pelas redes sociais e apenas quando ele já estava fora do país. Em 31 de março, Cataratas havia publicado em suas redes sociais uma imagem ao lado do então parlamentar, que teve o mandato cassado em dezembro. "Tive a honra de receber em Boa Vista o deputado federal Alexandre Ramagem, grande aliado do presidente Jair Bolsonaro e defensor incansável da liberdade e da soberania nacional. Falamos sobre os rumos do Brasil, os desafios das eleições de 2026 e o fortalecimento de um projeto político alinhado com os valores da direita, da ordem e do progresso", escreveu Cataratas na época.
Segundo nota divulgada pela assessoria de Cataratas na época da prisão do filho, Celso é cidadão americano e estava em deslocamento para os Estados Unidos para celebrar o próprio casamento, estando acompanhado da esposa e da filha. Rodrigo Cataratas tem negócios na Guiana, país que esteve na rota de fuga de Ramagem rumo aos Estados Unidos. Atualmente, ele é pré-candidato ao Senado pelo PRD. Em 2022, disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PL, tendo declarado guardar R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo. Seu patrimônio inclui ainda dez aeronaves e onze veículos, além de um total de R$ 33,6 milhões.
Ele é um dos líderes do "Movimento Garimpo é Legal". O garimpeiro enfrenta problemas com a justiça. Em janeiro de 2024, o Ministério Público Federal o denunciou por suspeita de atear fogo a um carro do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e invadir o pátio da Polícia Federal para incendiar um helicóptero do instituto em 2021. Cataratas ainda é réu em três processos na Justiça Federal por ligação com a exploração ilegal de ouro em Roraima.
Assim como o pai, o filho Celso também já teve problemas com a Justiça, tendo sido preso em 2022 por suspeita de explorar ilegalmente ouro na Terra Indígena Yanomami, sendo solto dias depois. O advogado Jeffrey Chiquini, que representa Cataratas, disse que a defesa só se manifestará após ter acesso aos autos. O advogado Augusto Mendes de Araújo, que representa Celso Rodrigo de Mello, ainda não se manifestou sobre o caso.